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Psicologia do genero

A psicologia do genero estuda como as pessoas desenvolvem os sentimentos relacionados com o genero, como interagem a identidade, o corpo e o papel social, e que fatores psicologicos contribuem para a disforia de genero. O campo e atualmente marcado por uma polarizacao entre o modelo afirmativo � que toma como ponto de partida a identidade de genero autodeclarada � e a abordagem exploratoria mais classica, que deixa espaco a fatores subjacentes. Nos ultimos anos, o equilibrio cientifico deslocou-se claramente para a exploracao e a prudencia.

Desenvolvimento dos sentimentos de genero nas criancas

A psicologia classica do desenvolvimento (Kohlberg, Bem) descreve como as criancas, entre os dois e os sete anos, desenvolvem consciencia do seu corpo e do seu sexo. Uma minoria das criancas experimenta nesta fase variancia ou disforia de genero. A conclusao mais bem documentada e que a grande maioria destas criancas chega, sem intervencao medica, a aceitacao do corpo em torno da puberdade � geralmente em conjugacao com o desenvolvimento de uma orientacao homossexual ou bissexual. Ver desistance.

Comorbilidade: a regra, nao a excecao

Nos adolescentes que se apresentam nos cuidados de genero, a comorbilidade psiquiatrica e muito elevada. A perturbacao do espetro do autismo surge em 15% a 35% � varias vezes mais do que na populacao geral. As perturbacoes da ansiedade, a depressao, as perturbacoes alimentares, o trauma e os comportamentos de autoagressao estao tambem desproporcionadamente presentes. A questao de saber se a disforia e o problema primario ou se se manifesta como consequencia de problematica subjacente e, em muitos casos individuais, dificil de responder � e e precisamente por isso que e necessaria uma exploracao psicologica aprofundada, e nao a afirmacao automatica.

Modelo afirmativo versus abordagem exploratoria

O modelo afirmativo parte do principio de que a identidade de genero autodeclarada e assumida como verdade e, a pedido, apoiada medicamente. Os criticos � entre os quais psicologos clinicos, pedopsiquiatras e os autores da Cass Review (2024) � sublinham que este modelo desencoraja a psicoterapia exploratoria e nao faz justica a adolescentes vulneraveis com problematica subjacente. A abordagem exploratoria explora em sentido amplo (trauma, homofobia internalizada, autismo, dinamicas familiares, influencias sociais), sem afirmar nem negar a priori. Entretanto, na Suecia, Finlandia, Noruega, Dinamarca e no Reino Unido, a psicoterapia ficou estabelecida como tratamento de primeira linha.

O stress de minoria como explicacao e incompleto

O modelo do "minority stress" de Meyer e frequentemente usado para atribuir as elevadas queixas psicologicas das pessoas trans, na integra, a discriminacao externa. O modelo tem suporte empirico mas e incompleto: tambem em ambientes muito trans-positivos (Paises Baixos, Suecia), as queixas psicologicas e os riscos de suicidio continuam substancialmente mais altos do que na populacao geral. A propria disforia de genero, a problematica comorbida e os maus resultados dos percursos medicos contribuem provavelmente em medida semelhante.

A afirmacao sobre o suicidio analisada criticamente

A frase "would you rather have a dead daughter or a living son" e usada com regularidade para forcar uma transicao medica rapida em menores. A Cass Review estabeleceu expressamente que a base empirica deste enquadramento e fraca, que o risco de suicidio em jovens disforicos e equiparavel ao de outros grupos adolescentes vulneraveis e que o uso da ameaca de suicidio como argumento e eticamente problematico e comprovadamente nocivo para o clima clinico.

A psicoterapia como primeira linha responsavel

A psicoterapia � exploratoria, focada na problematica comorbida e no contexto social � pode ajudar muitos adolescentes pacientes sem intervencoes irreversiveis. Nao e "terapia de conversao", uma acusacao usada nos ultimos anos, indevidamente, para desencorajar cuidados psicologicos criticos. O Reino Unido, a Finlandia e a Suecia marcaram expressamente esta diferenca: a exploracao nao e tentar curar de ser trans; e boa medicina.