Genderinfo.nl

InícioConceitos › Muxe

Muxe

'Muxe' (pronunciado 'mu-xe') é a designação para um papel de terceiro género entre os zapotecas no estado mexicano de Oaxaca, sobretudo em torno da cidade de Juchitán. As muxes são pessoas AMAB que se apresentam num papel feminino — social, cultural e na forma de vestir. A tradição remonta a muitas gerações e é frequentemente apresentada pelos antropólogos como exemplo de diversidade de género pré-colombiana.

O que significa?

Uma muxe não é um paralelo exato de 'mulher transgénero'. O papel é atribuído e aceite socialmente dentro da cultura zapoteca de inspiração matriarcal, na qual as mulheres tradicionalmente sustentam o mercado e a economia. As muxes assumem frequentemente tarefas de cuidado ou domésticas e desempenham um papel cerimonial nas festas, em particular na anual 'Vela de las Auténticas Intrépidas Buscadoras del Peligro' em Juchitán.

Distinção e sobreposição

Papéis de terceiro género comparáveis: hijra (Sul da Ásia), kathoey (Tailândia), fa'afafine (Samoa), two-spirit (povos indígenas da América do Norte). A muxe distingue-se, entre outros aspetos, por estar bastante integrada no papel económico mais amplo das mulheres dentro da sociedade zapoteca.

Contexto social e prático

As muxes são geralmente aceites em Juchitán; fora dali — no México urbano ou no norte do país — a sua posição é menos segura. Não existe reconhecimento jurídico de um terceiro género no México; nos documentos, as muxes continuam a ser registadas como homens.

Perspetivas críticas

Os meios de comunicação ocidentais apresentam regularmente a muxe como 'o terceiro género mexicano' e como prova de uma diversidade de género universal. Os antropólogos sublinham que a muxe só é compreensível dentro do contexto zapoteca específico: a economia matriarcal, a vida religiosa católica sincrética e a estrutura familiar local. Não é uma categoria de 'género' abstrata, mas um padrão de papel social.

Fontes

  • Mirandé, Alfredo (2017). Behind the Mask: Gender Hybridity in a Zapotec Community. University of Arizona Press.
  • Stephen, Lynn (2002). "Sexualities and Genders in Zapotec Oaxaca." Latin American Perspectives, 29(2). DOI
  • Chiñas, Beverly N. (2002). "Isthmus Zapotec attitudes toward sex and gender anomalies." In: Murray, S.O. (red.) Latin American Male Homosexualities. University of New Mexico Press.