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Não binário

"Não binário" é um termo guarda-chuva para pessoas que não se descrevem (totalmente) como homem ou mulher. É um rótulo de identidade, não uma categoria biológica. O sexo biológico é binário e estável: há dois sistemas de gâmetas e as condições intersexo (raras, cerca de 0,02% numa definição estrita) não constituem um "terceiro sexo", são variações médicas dentro de um dos dois.

O que abrange o termo?

Sob a designação "não binário" cabem autoidentificações muito diversas: genderqueer, género fluido, agénero, bigénero, trigénero, poligénero, demi-género, pangénero, maverique, aporagénero, xenogénero e muitas outras. O panorama está na página de conceitos. O que estas etiquetas têm em comum é considerarem insuficiente a distinção binária homem/mulher — não como descrição do corpo, mas como descrição de um "sentimento de género" interior. É importante reter: o conceito de identidade de género é teórico, não objetivamente mensurável, e assenta em autorrelato.

Forte aumento e dinâmica social

O número de jovens que se identifica como não binário aumentou de forma explosiva a partir de cerca de 2015, sobretudo entre raparigas adolescentes. Para um fenómeno que se pretende apresentar como característica biológica estável, esse crescimento súbito é notável. Os investigadores chamam a atenção para o papel das redes sociais, dos agrupamentos entre pares e da imagem cultural. O conceito de "contágio social" ou de rapid-onset gender dysphoria é discutido neste contexto. Muitos rótulos não binários (como demi-género ou pangénero) surgiram, além disso, online e não dispõem de fundamentação científica estabelecida.

Cuidados de saúde, pronomes e linguagem

Algumas pessoas não binárias pedem formas de tratamento neutras em género, como "hen" ou "die". Outras conservam "hij" ou "zij". O sistema neerlandês de cuidados de género foi originalmente desenhado em torno de disforia persistente e de uma transição binária. Para pedidos não binários — desde "nada de medicação" a intervenções hormonais ou cirúrgicas específicas — é cada vez mais possível um percurso individualizado. O reverso é que a indicação se tornou, com isso, mais difusa.

Debate social

Nos Países Baixos, o registo de sexo não tem uma terceira categoria oficial; só por decisão judicial é, em casos individuais, possível um "X". A nível internacional, o quadro é misto. Os defensores veem uma terceira opção como reconhecimento da diversidade. Os críticos alertam para o facto de o aumento de categorias autodefinidas gerar tensões com direitos e serviços baseados no sexo — desporto feminino, casas-abrigo, estatísticas e investigação médica — e de o reconhecimento de inúmeros autorrótulos não equivaler a fundamentação científica.

Perspetivas críticas

É real que as pessoas vivam mal-estar com expectativas rígidas de papéis de género — pode haver simpatia por isso sem concluir que se está "entre" ou "fora" do sexo binário. Autoras feministas e críticas em relação ao género chamam a atenção para o facto de o "não binário" exprimir, por vezes, mais resistência às normas de género do que constituir uma categoria ontológica autónoma. Em termos sociológicos, é notório que o rótulo está sobrerrepresentado em coortes de jovens ocidentais, com formação superior e ativos em ambiente online, o que sugere uma origem cultural, não universal.

Fontes

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  • Stock, Kathleen (2021). Material Girls. Fleet.
  • Joyce, Helen (2021). Trans: When Ideology Meets Reality. Oneworld.
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