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Transicao social em criancas
Uma transicao social numa crianca � novo nome, novos pronomes, outro vestuario, muitas vezes em conjugacao com sigilo na escola ou na familia � e frequentemente apresentada como uma "experiencia reversivel". Nao e exato. A Cass Review (2024) e clara: a transicao social em criancas nao e um passo neutro, e uma intervencao psicossocial ativa com consequencias demonstraveis no percurso de desenvolvimento subsequente.
O que e uma transicao social?
Na transicao social, a crianca e tratada no dia a dia como pertencendo ao outro sexo: novo nome, outros pronomes, outro vestuario, outro penteado, outro uso das casas de banho e dos vestiarios. Sem intervencao medica � mas com intervencao na autoimagem, nas relacoes com pares e com a familia e na forma como a crianca se da linguagem e significado.
Cass Review: uma intervencao ativa, nao um gesto neutro
A Cass Review formula-o de forma cristalina: "A transicao social nao e um ato neutro, mas uma intervencao psicossocial ativa que pode alterar os resultados psicologicos da crianca." Por outras palavras: altera a probabilidade de a disforia de genero persistir em vez de se resolver por si. Cass Review (relatorio completo).
Isto alinha-se com o trabalho anterior, entre outros, de Steensma (2013), que sugere que uma transicao social precoce e completa pode bloquear a desistance natural � o desaparecimento da disforia durante ou apos a puberdade. Apos uma transicao social, o caminho de regresso fica social e psicologicamente mais dificil: e preciso dar explicacoes a turma, aos amigos, a familia e a si propria. Para uma crianca de oito anos, e um fardo praticamente impossivel.
Quem tem aqui, na verdade, a direcao?
Em muitas situacoes praticas, a iniciativa da transicao social nao parte unicamente da crianca. Uma combinacao de profissionais entusiastas, escola complacente, um pai que "nao quer que o filho seja infeliz" e redes sociais que apresentam o passo como heroico pode arrastar uma crianca de seis ou dez anos para uma direcao que nunca teria pensado por si. Nao e "escutar a crianca"; e dirigir um processo de desenvolvimento pelas expectativas dos adultos.
Particularmente problematico e quando escolas ou profissionais permitem a transicao social da crianca sem que os pais saibam ou tenham consentido. Acontece nos Paises Baixos e nos paises vizinhos e e um sinal grave: nao a escola nem o pedopsicologo, mas o pai e o principal responsavel pelo menor. Ver Escola e criancas transgenero.
A reversibilidade e um mito
Formalmente, e possivel "reverter" um nome, um vestuario e os pronomes. Na pratica, nao e simples: a crianca instalou-se numa narrativa que todos os adultos a sua volta confirmaram de forma consistente. Voltar atras significa que a crianca tem de dizer que "afinal estava enganada" � num ambiente em que isso pode ser sentido como traicao ou autorrejeicao. E uma das razoes importantes pelas quais a transicao social esta estatisticamente associada a progressao para bloqueadores da puberdade e, em ultima analise, hormonas.
Entao o que fazer?
A alternativa nao e a negacao nem a punicao. E: levar a crianca a serio nos seus sentimentos, dar espaco a expressao atipica para o genero, identificar com cuidado eventual problematica subjacente (autismo, trauma, solidao, uso intensivo de media) e nao dar passos sociais irreversiveis enquanto a crianca esta em pleno desenvolvimento. O watchful waiting continua a ser um ponto de partida sensato e internacionalmente revalidado. Ver tambem O papel dos pais.