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Transgénero

"Transgénero" é um termo guarda-chuva usado para pessoas que não se identificam, ou não se identificam plenamente, com o sexo observado no nascimento. O termo é amplo e abrange experiências muito diversas — desde pessoas com disforia de género persistente que procuram tratamento médico até pessoas que apenas fazem uma adaptação social ou linguística. Essa amplitude merece atenção: o que para uns é um problema médico que determina a vida, para outros é uma opção de identidade.

O que significa o termo?

No discurso atual, transgénero é geralmente definido como uma "discrepância" entre uma identidade de género vivida interiormente e o sexo registado no nascimento. É importante recordar que "identidade de género" é um conceito teórico: não pode ser medida objetivamente e assenta inteiramente em autorrelato. Além disso, o sexo não é "atribuído" no nascimento — é observado no corpo.

Não há nenhum teste médico que permita determinar se alguém é transgénero. O diagnóstico de disforia de género descreve um mal-estar persistente com o próprio corpo ou com o papel social atribuído; esse diagnóstico exige mal-estar clínico e duração. O termo mais amplo "transgénero" é hoje também usado por pessoas sem disforia, o que esbate a distinção entre uma condição médica e uma identidade.

Termos relacionados e sentido da transição

Dentro do espectro transgénero fazem-se distinções consoante o sentido da transição. Transmasculino e FTM (female-to-male) referem-se a pessoas com sexo de nascimento feminino (AFAB) que se deslocam em direção masculina. Transfeminino e MTF (male-to-female) referem-se a pessoas com sexo de nascimento masculino (AMAB) que se deslocam em direção feminina. O contraponto de transgénero é cisgénero.

Aumento das identificações

O número de pessoas que se identifica como transgénero aumentou fortemente desde cerca de 2010, sobretudo entre raparigas adolescentes e jovens mulheres. É uma deslocação notável face ao padrão clássico, em que se tratava de um pequeno grupo, sobretudo de homens adultos com disforia precoce e persistente. Investigadores como Lisa Littman (2018) introduziram, neste contexto, o conceito de rapid-onset gender dysphoria. Redes sociais, influência de pares e fatores culturais mais amplos são apontados na literatura como possíveis explicações.

Transição médica e o debate científico

Uma transição médica abrange, em regra, terapia hormonal e, em parte, intervenções cirúrgicas. Nos Países Baixos, esses cuidados decorrem por um percurso especializado, historicamente conhecido como Protocolo Holandês. Este modelo originalmente neerlandês — com bloqueadores da puberdade seguidos de hormonas de sexo cruzado — foi durante muito tempo apresentado como padrão de excelência a nível internacional, mas está agora sob forte ataque. As críticas incidem, entre outros pontos, sobre os fracos dados a longo prazo, o viés de seleção e a ausência de grupos de controlo.

A britânica Cass Review (2024) concluiu que a base de evidência dos bloqueadores da puberdade e do tratamento hormonal em menores é "notavelmente fraca". A Suécia, a Finlândia, a Noruega e a Dinamarca ajustaram fortemente as suas práticas: o tratamento de menores é fortemente restringido e oferecido apenas em contexto de investigação.

Nos adultos, as hormonas e a cirurgia são profundas e em parte irreversíveis: estão em causa a fertilidade, a função sexual e a medicação para toda a vida. Uma decisão bem ponderada exige informação completa sobre estas consequências.

Bem-estar psicossocial

As pessoas transgénero apresentam, mais do que a população em geral, queixas psicológicas. O enquadramento dominante atribui isto sobretudo ao "stress minoritário" e à rejeição social e apresenta o tratamento médico como solução. O quadro é, contudo, mais complexo. O estudo sueco de longa duração de Dhejne et al. (2011) verificou que a morbilidade psiquiátrica e a mortalidade permaneciam elevadas após a transição médica.

Posição jurídica nos Países Baixos

Desde a Lei Transgénero de 2023, é possível, nos Países Baixos, alterar o registo de sexo mediante declaração no registo civil, sem condições médicas. Os críticos alertam para o facto de a autoidentificação sem qualquer verificação gerar tensões com serviços baseados no sexo — desporto feminino, prisões, casas-abrigo e cuidados médicos.

Fontes

  • Coleman, E. et al. (2022). Standards of Care for the Health of Transgender and Gender Diverse People, Version 8. WPATH. DOI
  • Cass, Hilary (2024). Independent Review of Gender Identity Services for Children and Young People: Final Report. NHS England. Texto
  • Hembree, W.C. et al. (2017). "Endocrine Treatment of Gender-Dysphoric/Gender-Incongruent Persons." JCEM, 102(11). DOI
  • Dhejne, C. et al. (2011). "Long-term follow-up of transsexual persons undergoing sex reassignment surgery: cohort study in Sweden." PLOS ONE, 6(2). PubMed
  • Littman, L. (2018). "Parent reports of adolescents and young adults perceived to show signs of a rapid onset of gender dysphoria." PLOS ONE, 13(8). DOI
  • Steensma, T.D. et al. (2013). "Factors associated with desistence and persistence of childhood gender dysphoria." JAACAP, 52(6). Texto
  • de Vries, A.L. et al. (2014). "Young adult psychological outcome after puberty suppression and gender reassignment." Pediatrics, 134(4). DOI
  • Joyce, Helen (2021). Trans: When Ideology Meets Reality. Oneworld.
  • Hilton, Hannah Barnes (2023). Time to Think: The Inside Story of the Collapse of the Tavistock's Gender Service for Children. Swift Press.