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Demimenina

A bandeira demigirl com faixas cinzentas, cor-de-rosa e brancas
Imagem: Misc, domínio público, via Wikimedia Commons

'Demimenina' (em inglês: 'demigirl' ou 'demiwoman') é um rótulo não binário para alguém que se identifica parcialmente, mas não totalmente, com 'rapariga' ou 'mulher'. É a contraparte feminina de demiboy e uma especificação dentro da categoria demigénero.

Como o rótulo surgiu

O termo 'demigirl' já constava, em outubro de 2011, do glossário do blogue do Tumblr Genderqueerid e difundiu-se nos anos seguintes, num período em que os microrrótulos de identificação de género se multiplicavam rapidamente. A tradução neerlandesa 'demimeisje' surgiu através de comunidades de tradução. O rótulo é, portanto, relativamente recente e existe em grande parte nos espaços online; não tem lugar na literatura psicológica formal nem no diagnóstico clínico.

O que a pessoa que o usa está a dizer

Quem se identifica como demimenina sinaliza: identifico-me parcialmente com 'rapariga' ou 'mulher', mas não totalmente. O que significa 'parcialmente' permanece subjetivo. Algumas pessoas relatam uma experiência variável entre o feminino e o não feminino. Outras sentem constantemente uma feminilidade 'moderada'. O rótulo capta algo que falta na terminologia de género convencional — embora diga mais respeito à autodescrição do que a uma categoria objetivamente mensurável.

Como se relaciona com outros rótulos

Demimenina é um dos muitos microrrótulos que surgiram online entre 2010 e 2020; o resumo sobre quantos géneros existem apresenta-os em conjunto. Termos relacionados — genderfae, genderfluid, demigénero — sobrepõem-se substancialmente. Observadores externos raramente fazem essa distinção; dentro das comunidades que usam o rótulo, a diferença pode ter grande importância.

Estatuto social

'Demimenina' não aparece em documentos oficiais. O registo da população, os passaportes e os processos clínicos não têm um campo para a identificação parcial. Empregadores e instituições de ensino raramente adaptam as suas políticas a este nível de diferenciação. Fora das comunidades online, o termo raramente é reconhecido de forma ativa; no dia a dia, a pessoa que o usa recorre a 'ela', 'elu' ou a uma combinação.

Perspetivas críticas

Do ponto de vista metodológico, a 'feminilidade parcial' é difícil de definir. A identidade é difícil de fracionar como uma percentagem ou uma grandeza. Do ponto de vista da psicologia cognitiva, o rótulo funciona sobretudo como uma autodescrição — uma ferramenta para organizar as próprias experiências. Se também constitui uma categoria distinta dentro de um espectro de género mais amplo é, concetualmente, uma questão em aberto.

Para quem o usa, o rótulo é significativo porque dá nome a algo que, de outro modo, ficaria sem linguagem. Para as instituições — saúde, educação e governo — a inflação de microrrótulos é difícil: qualquer tentativa de acomodar todos os rótulos conduz a um campo impossível de gerir, enquanto a não acomodação é sentida como uma rejeição. A solução prática costuma ser o mínimo denominador comum: usar o nome e os pronomes desejados (ver linguagem neutra em termos de género). Um reconhecimento institucional mais abrangente continua fora de alcance.

Contexto histórico

Autodescrições semelhantes existem noutras culturas e períodos, muitas vezes sem o vocabulário específico do Tumblr. A investigação sociológica (Vincent, 2020) aponta para um padrão humano geral: as pessoas nem sempre vivem o seu género como algo monolítico. A questão não é saber se essa experiência existe, mas que implicações sociais lhe devem ser associadas.

O que significa?

Uma demimenina sente uma identidade de género parcialmente feminina, muitas vezes combinada com uma segunda componente (agénero, fluida ou não especificada). A pessoa que usa o rótulo pode ser tanto AFAB (sexo feminino atribuído à nascença) como AMAB (sexo masculino atribuído à nascença); o rótulo diz respeito à identificação, não à biologia.

Distinção e sobreposição

Demimenina sobrepõe-se a genderfae (fluida dentro do espectro feminino) e a algumas variantes de género fluido. Ao contrário do género fluido, na demimenina a referência feminina está constantemente presente, embora apenas de forma parcial.

Contexto social e prático

Demimenina não aparece em documentos oficiais. Os pronomes usados são frequentemente 'ela', por vezes 'elu' ou uma combinação. Fora das comunidades online, o termo raramente é reconhecido de forma ativa.

Perspetivas críticas

A questão do que significa exatamente ser 'parcialmente mulher' é concetualmente difícil: uma sensação de género dificilmente pode ser medida ou comparada de forma fracionada. Os microrrótulos específicos desta área respondem sobretudo a uma necessidade social de precisão dentro de determinadas comunidades online. Para quem o usa, o rótulo pode ser significativo; isso não faz dele automaticamente uma categoria delimitada dentro de um espectro de género mais amplo.

Fontes

  • Richards, C. et al. (2016). "Non-binary or genderqueer genders." International Review of Psychiatry, 28(1). DOI
  • Vincent, B. (2020). Non-Binary Genders. Policy Press.
  • Arquivos do Tumblr (2011 a 2014): primeiras publicações sobre 'demigirl'.