Risco de trombose na terapia com estrogénio

A terapia com estrogénio no tratamento hormonal feminizante aumenta o risco de tromboembolismo venoso (TEV): coágulos sanguíneos nas veias das pernas (trombose venosa profunda) ou nos pulmões (embolia pulmonar). Esse risco depende da forma de administração, da dose e das características da pessoa.
Evidências científicas
O estudo de coorte de Getahun e colaboradores (2018), publicado nos Annals of Internal Medicine, identificou uma maior incidência de tromboembolismo venoso em mulheres trans em terapia com estrogénio em comparação com os controlos. Também as coortes europeias ENIGI e o estudo de acompanhamento de longo prazo de Wierckx e colaboradores (2012) relatam uma maior incidência de trombose em mulheres trans. Uma visão geral dos riscos cardiovasculares, incluindo a trombose, está disponível em transkompas.nl.
Via oral versus transdérmica
A Endocrine Society Clinical Practice Guideline (2017) salienta que o etinilestradiol por via oral tem um efeito mais forte nos fatores de coagulação produzidos pelo fígado do que outras preparações de estrogénio e está associado a um maior risco de TEV. O estradiol transdérmico (adesivo, gel) está associado a um risco mais baixo e é recomendado para pessoas com risco aumentado.
Fatores de risco
- Idade superior a quarenta anos
- Tabagismo
- Excesso de peso e obesidade
- Distúrbios hereditários da coagulação (como o fator V Leiden)
- Imobilização prolongada ou intervenções cirúrgicas
- Trombose ou embolia pulmonar anteriores
Recomendações na prática clínica
As diretrizes internacionais recomendam uma avaliação do risco antes do início da terapia com estrogénio, tendo em conta os antecedentes familiares, o estilo de vida e as doenças concomitantes. Em caso de risco aumentado, dá-se preferência à administração transdérmica. O tabagismo é fortemente desaconselhado e, em torno de intervenções cirúrgicas, a utilização de estrogénio é frequentemente interrompida temporariamente. Encontre mais informações em doenças cardiovasculares durante a transição e efeitos secundários da terapia hormonal; também a progesterona pode aumentar o risco de coagulação.
Fontes
Getahun, D., Nash, R., Flanders, W.D., et al. (2018). Cross-sex Hormones and Acute Cardiovascular Events in Transgender Persons: A Cohort Study. Annals of Internal Medicine, 169(4), 205–213. doi:10.7326/M17-2785
Wierckx, K., Mueller, S., Weyers, S., et al. (2012). Long-term evaluation of cross-sex hormone treatment in transsexual persons. Journal of Sexual Medicine, 9(10), 2641–2651. doi:10.1111/j.1743-6109.2012.02876.x
Hembree, W.C., et al. (2017). Endocrine Treatment of Gender-Dysphoric/Gender-Incongruent Persons. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 102(11), 3869–3903. doi:10.1210/jc.2017-01658
Coleman, E., et al. (2022). Standards of Care for the Health of Transgender and Gender Diverse People, Version 8. International Journal of Transgender Health. doi:10.1080/26895269.2022.2100644